terça-feira, 15 de dezembro de 2009


"Tenho uma convicção muito própria que me leva a acreditar que, se quisermos descobrir o que o outro significa em nossa vida, basta ficar a sós com ele e em silêncio. É assim que podemos mensurar o papel que o outro ocupa dentro de nós, no momento em que não há mais nada há ser dito e que a única novidade a ser comunicada somos nós mesmos.
Este é o crivo pelo qual toda relação tem que passar. As falas podem nos distrair, os acontecimentos podem nos mascarar, nossas respostas podem até nos justificar, mas só o silêncio pode nos revelar. É assim que o amor se torna eterno, no momento em que nada mais precisa ser comunicado, tudo já foi dito e o que nos resta é o mistério de recolher silêncios.
O silêncio só é suportável aos amantes. Ele só é possível àqueles que já descobriram que as palavras podem estar a serviço da mentira e que a ausência delas é o momento propício para que o amor nos ensine a sua linguagem. Só quem ama é capaz de ouvir o que o outro diz, mesmo quando ele não fala. Conhecer é um recurso da razão. Recurso que utilizamos a partir de perguntas e respostas que insistimos em formular enquanto vivemos. Perguntamos e respondemos. Perguntas diárias, ordinárias, curiosas, sem razão, perguntas que querem respostas. Mas nem sempre as respostas respondem. Muitas vezes não são honestas. Sobretudo quando utilizadas para calar aquele que nos inquieta com sua intervenção. Responder, por vezes, leva tempo, cansa.."

Um comentário: