"Não estamos aqui para decorar ou embelezar o museu alheio. Estamos aqui para exaurir as nossas forças na decisão consciente de não ter medo dos monstros que habitam os nossos próprios museus. São nossos. Criados por nós mesmos ou por outros. Mas são nossos. São os traumas que carregamos. As decepções. As tristezas. Os fracassos. As mesquinharias. Tudo nosso. E não há como escondê-los embaixo de um tapete enfeitado que agrade ao nosso visitante. O tapete há de rasgar a qualquer momento e há de revelar o que não limpamos simplesmente por medo de ficarmos a sós conosco mesmo. Evidentemente, não há só sujeira. O nosso museu interior nos revela imagens preciosas do quanto servimos ao outro, do quanto amamos, do quanto nos emocionamos com cenas delicadas da vida que emprestaram poesia ao nosso sonho e que acalentaram o nosso convívio. É o que somos: perfeição e imperfeição, dualidade. E a vida madura talvez seja a incansável busca em fazer com que as virtudes vençam os vícios e que o museu esteja, enfim, digno de ser visitado. Nada de enfeites, nem disfarce. Limpesa. A sós conosco mesmo, somos capazes de nos limparmos para que o odor desagradável não desagrade nem a nós nem aos outros.
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A surpresa que traz a dor traz também a resistência."
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A surpresa que traz a dor traz também a resistência."
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