segunda-feira, 6 de junho de 2011

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Quando nos dedicamos, com o coração, à busca do autoconhecimento, é inevitável que chegue um instante em que algumas mentiras que contávamos para nós mesmos passem a não funcionar mais. Os disfarces até então utilizados para fortalecer o nosso autoengano já não nos servem. Inábeis com a paisagem aos poucos revelada, às vezes ainda tentamos nos apegar a alguma coisa que possa encobrir a nossa lucidez, embaraçados que costumamos ser com as novidades, por mais libertadoras que sejam. É em vão. Impossível devolver a linha ao novelo depois que a consciência já teceu novos caminhos. Existem portas que se desmancham após serem atravessadas, como sonhos que se dissolvem ao acordarmos. Não há como retornar ao lugar onde a nossa vida dormia antes de cruzá-las. Da estreiteza à expansão. Da semente à flor. Do casulo às asas, nos ensinam as borboletas.

por Ana Jácomo

quarta-feira, 1 de junho de 2011

lembranças!

"Hoje estou melancólica e suspirosa,
choveu muito,
a água invadiu este porão de lembranças,
bóiam na enxurrada a caminho do rio.
Deixo que naveguem,
pois não as perderei...
O rio é dentro de mim."

Adélia Prado

terça-feira, 31 de maio de 2011

!!


Que a cada manhã, ao acordar,

eu desperte um pouco mais para o que verdadeiramente me interessa."

(Ana Jácomo)

sexta-feira, 27 de maio de 2011

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"um dia a gente aprende a conviver com uns e sobrevier sem outros"

quarta-feira, 18 de maio de 2011

"‎Pensando, sonhando, querendo…"


"Esboça um futuro simples. Férias com sol, um filho, um lar. Reinvento a cena, traço mil rotas, deslumbro destinos, redescubro serás e almejo fôlego pra tanto desejar. Ele ri da minha ansiedade, das minhas antecipações. Faz cara de bobo me achando boba, arrumando meu cabelo atrás da orelha. Decerto imaginando onde estava com a cabeça para inventar de amar alguém tão cheia de idéias e sede de viver. Por natureza ou por implicância, gosta de me contrariar. Se encabeço dietas, me aparece com chocolate. Se concentro em uma leitura, distribui beijos intermináveis até vencer do livro. Quando cortejo o silêncio, dá de cantar músicas ao pé do ouvido alterando as letras. Desobediente. Meu amor é desobediente. Ele diz que é só amor... (...)"

*Fragmento do novo texto postado em "Papel, Palavra, (cor)Ação!"

é um desejo bem assim, de ir levando a vida.. de ir somando o amor!.. de sentir leve e abraçado!

terça-feira, 17 de maio de 2011

da alma..


'Amigos são poetas da alma. São andarilhos duais, alegres e tristes. São malabaristas e, se necessário, palhaços. Brincam para que o sorriso não se faça de rogado. Testemunham o aconchego de um fim de tarde. Exalam um odor agradável de uma flor que não se encontra em atacado. Amigos têm o poder da unicidade e não merecem a economia de nossos sentimentos. Se o convite é para um banho de cachoeira, para que perder tempo com a bica rala?
É uma vitória ter amigos. É uma derrota querer que os amigos sejam a projeção das nossas frustrações. O outro não é um pedaço que vai preencher um buraco do manto que me aquece. O outro é um manto inteiro. Mas um outro manto. Diferente do meu e, portanto, necessário.'

quarta-feira, 4 de maio de 2011

tempo para florescer!


Igualzinho ao que acontece com todas as pessoas, num trecho ou outro da estrada, eu já senti tanta dor que parecia que os golpes haviam me quebrado toda por dentro. Não sabia se era possível juntar os pedaços, por onde começar, nem se o cansaço me permitiria movimentos na direção de qualquer tentativa. Quando o susto é grande e dói assim, a gente precisa de algum tempo para recuperar o fôlego outra vez. Para voltar a caminhar sem contrair tanto os ombros e a vida. Um espaço para a gente quase se reinventar.

O tempo passa. O fôlego retorna. Parece milagre, mas as sementes de cura começam a florescer nos mesmos jardins onde parecia que nenhuma outra flor brotaria. A alma é sábia: enquanto achamos que só existe dor, ela trabalha, em silêncio, para tecer o momento novo. E ele chega.

(Ana Jácomo)